01 Fevereiro, 2010

Dia de Merda

Montes de pessoas disseram isto, e se calhar o Rui também… Seja como for, HÁ DIAS DE MERDA!
Pronto, já disse! Afinal não foi assim tão difícil… Há coisas que demoram bem mais tempo a sair, que custam muito, muito mais. E quando saem, depois de terem fugido como um perdigoto maroto, depois de contaminarem tudo e mais alguma coisa com aquela capacidade que nem o vírus da SIDA tem, acabam por voltar cá para dentro e queimam a garganta. É como se tivesses enfiado um garfo afiado pela goela abaixo e, não tendo a vacina do tétano em dia, bebes 2 shots de bagaço para desinfectar. Ainda assim, mesmo que queiras, já não podes voltar atrás. E isso é que dói mais…
(“Ui, mas que profundo! Quase que podias escrever um livro!”)
Sim, sim… Isto é tudo muito bonito. Mas com ou sem ferida, (e acredita(!), ninguém se importa se ainda está quente), acordo de manhã a desejar dormir mais uns minutinhos, sabendo que nem sequer aulas tenho antes do meio-dia, a ouvir passarinhos do outro lado da parede e penso “Puta que pariu! Não vir um dia de chuva para calar estes Perseguidos!”. E depois noto que sou um grande idiota: chuva não tem faltado e, para além disso, o meu egoísmo tem limites; afinal de contas os passarinhos têm todo o direito a vagabundear por aí, como todas as outras criaturas de Deus. “Ah, Filipe! És muito canalha! A culpar criaturas indefesas por causa do teu mau humor… Vai masé lavar os dentes!” E fui!
Pus um pé na soleira da porta e menti, “Está bem, eu vou estar atento!” Esbocei um sorriso e despedi-me com um “até logo” mais morto que o Aristóteles. Depois de chegar à estrada apeteceu-me pisar um caracol que estava na valeta. Mas fiquei-me só por isso. Apesar de adorar o delicioso “Crrrrrrr!” característico, vi o autocarro perto da paragem e comecei a correr. Perdi assim um daqueles que podia ter sido o ponto alto do dia.
Na escola chamei nomes feios a uma técnica operacional, mas baixinho para ela não ouvir… Também chamei nomes feios ao Rui, mas alto, para ele ouvir.
Na aula de Educação Física a minha barriga começou a fazer barulho e apeteceu-me comer qualquer coisa. Esqueci-me de comer no intervalo e depois tinha sono. Tratei mal a Ângela e ri-me dos serviços da Isabel e da Gabriela. Peço-lhes desculpa. Não é por mal, mas soube-me mesmo bem umas gargalhadas sinceras!
Ao almoço comi carne e quero pedir desculpas por isso. Lá se foi o meu respeito pelas criaturas do Senhor. Depois incumbiram-me de ser o Vasco naquela coisa de Psicologia. Nem eu sei ser eu quanto mais outros!
Quis conversar com alguém mas não consegui. Não por desencontros ou desentendimentos. As palavras não saíam. Sacanas… Para chamar pelo Ivo não me faltam elas! Fiquei triste e reconheceram isso quatro vezes. Já enjoava estar aqui dentro.
Agora à noite comi de boca fechada e não olhei para cima. Agora? Ai que sossego! Ligou há pouco um senhor idoso com voz de tísico a dizer que se tinha enganado no número. E foi a única pessoa com quem mantive uma conversa completa durante o dia: com saudação, introdução, desenvolvimento, conclusão e despedida. Ai, que felicidade!
E porque é que escrevi esta merda toda? Porque me apeteceu queixar e não tinha mais nada que fazer. E se a Clarisse ler isto e me quiser chamar nomes feios que o faça, desde que sejam mais de cinquenta.
E pronto…
Dizem por aí que tudo depende de nós. Da nossa força, da nossa esperança, da nossa luta, da nossa capacidade para acreditar…
Mas… dar crédito a quê? Lutar contra quem? Esperar…?
Acho que vou é desligar o PC, comer uma grande fatia de marmelada e esperar que me sarem as feridas da garganta. Se depois ainda estiveres aí diz-me um olá. Pode ser que te consiga responder mais alto.

24 Janeiro, 2010


Temos óculos (:

11 Janeiro, 2010

Sentimento paralelo

Sempre imóvel naquele canto.
Em todos os momentos pensas no quanto adoras estar abraçada a mim e o teu desejo vai crescendo sempre que nos vemos, mas ficas lá no teu canto sozinha a tocar aquela música sem te manifestares muito. Tens tudo para dar. Tu sabes que consegues dar o que tens e o que não tens mas sozinha é impossível fazê-lo e então ficas parada. Mesmo com todas as certezas que tens sobre ti tens medo de avançar, tens medo da me falar sobre o assunto e então esperas por um acorde meu, uma simples nota mal dada que seja.
Essa nota não se consegue ouvir. Por vezes sentes uma vibração a atravessar o ar mas é apenas um ruído de fundo muito fraco.
Será? Esperas mesmo que não seja.
Tentas decifrar esse ruído, tentas encontrar as notas que compõem a música tocada por nós dois. Não consegues.
Por agora é só um ruído.
E depois? Tu não te importas! O que sentes permanece forte até no silêncio tristonho das tuas cordas duras e sentimentais.
No teu canto, tocas a tal música a toda a hora e a toda a hora o sentimento cresce.
Sorris...


Alguém neste mundo sente o mesmo que tu e é feliz só por senti-lo, mesmo que o resto lhe falte.

27 Dezembro, 2009

Moços

Existem muistas pessoas que marcam a nossa vida e com as quais passamos muitos momentos que nos fazem querer que nunca acabem, momentos onde esquecemos o pior e somos alegres e momentos de tristeza, discusão e reflexão.
Pois bem, quero agradecer aos Moços.
Aos Moços das Corridas, aos Moços das Guitarradas, aos Moços das Gargalhadas, aos Moços do Abraço, aos Moços das Lágrimas de Tristeza, das Lágrimas de Alegria, aos Moços dos Desabafos e dos Conselhos. Aos Moços das Noitadas, aos Moços da Maluqueira e da Aventura, aos Moços dos Desafios, aos Moços das Histórias, aos Moços de Sexta à Noite.
OBRIGADO!
Vocês são os maiores. Em qualquer momento, se necessário, eu choro convosco ou choro por vós, estendo o braço e puxo-vos, aperto a mão e seguro-vos. Sempre que precisarem eu estou aqui pois sempre que eu preciso tenho-vos aí.
Parte do que sou sou-o graças a vós e agradeço também por isso, por me ajudarem a moldar uma personalidade forte com o que cada um de melhor tem.
Só quero que saibam que são quem mais me ajuda em tudo. Convosco é quase sempre alegria e mesmo quando esta vai dar uma volta de mota vocês tratam de a fazer voltar.
Meus Amigos, um grande abraço a todos e mais uma vez agradeço.

17 Dezembro, 2009

Operão da Tristeza

Se existe alguma substância no corpo que nos deixa faltos de alegria, silenciosos, com vontade de dividir todo o nosso organismo em infinitos corpúsculos de forma a impedir que a complexidade da dor nos envolva, deixando que, finalmente, o vazio se apodere de nós... bem, então acho que as minhas células hoje produziram montes dessa substância. Tanta que me intoxicou os vasos e me fez inchar a cabeça por causa dos pensamentos em combustão; tanta que os meus ouvidos ouviam a sua interrupta síntese já quase indiferentes; tanta que o meu nariz se inebriou do seu mafioso perfume; tanta que me deu vontade de chorar essa substância misturada com lágrimas.
Ou isso, ou então simplesmente foi assim porque assim teve de ser.
Ou eu deixei...

Onde pára a Vontade?

02 Novembro, 2009

Selos

Na circunstância do nada acordei para o depois.
Sem me levantar fechei os olhos e desejei que não abrissem mais.

13 Outubro, 2009

Eu não vi porque não estava lá

Atravessas a rua sem olhar para os dois lados. Não olhas sequer para um. Centras a tua visão naquele ponto vazio que te consome desde há muito tempo e ficas simplesmente a vê-lo crescer dentro de ti, a criar cada vez mais raízes no teu âmago, a apagar por completo a tua alegria que agora é mais que forçada. E, sem saberes o que fazer, escondes-te dentro de ti mesmo, fechando a torneira às lágrimas que apenas contagiam o exterior desse teu desespero.
Chegas ao outro lado da rua e questionas-te relativamente à tua sanidade mental. Será assim tão ridículo querer voltar ao outro lado para apanhar um pedaço de nada?
Desta vez não te prendes a questões que sabes que nunca te serão respondidas, e inicias os passos no asfalto gasto pelo tempo e perdes-te de novo nessa tapeçaria de nós e remendos e pontas soltas. Páras ainda a meio do caminho: não olhaste a ver se vinham carros! Rodas a cabeça para a esquerda com tanta pressa que ouves o pescoço a estalar. Entretanto, esse som repercute-se dentro de ti e um grito ao longe atrai a tua atenção. Perdes o contacto com o chão. Os teus olhos vazios e arrependidos percorrem o céu e depressa regressam a esse plano ensaguentado. Só depois de aterrares no chão com toda a força é que sentes essa dor a queimar por dentro.
Quando regressas a ti e sentes o silêncio a ser quebrado é que tens consciência de que precisas de amortecedores. Não desses! Precisas de amortecedores para o coração.

30 Setembro, 2009

Está bonito!

Pois é, meus Amigos! Pois é!...
O tempo vai passando e vamos tomando decisões. É com decisões, ou certas decisões, por assim dizendo, que vamos crescendo e tornando GENTE (certamente não são decisões do tipo "vou vestir isto" ou "hoje vou almoçar aquilo"...acho que se percebe qual é o tipo de decisão). Destas decisões algumas são consideradas boas enquanto que outras nem por isso. Confesso que tenho sido um sortudo com as minhas...
Pensando bem talvez nem tudo seja uma questão de sorte, se bem que é um factor que influencia bastante, mas nós também temos que fazer com que a escolha seja acertada, temos que correr atrás, temos que influenciar a nossa sorte para que ela nos influencie também, ou então para que não influencie tanto. (Estás a perceber o que digo? Não sei se me estou a fazer entender. Mas adiante...).
A meu ver, uma das coisas mais importantes é não nos arrependermos das escolhas que tomamos. Viver com aquela sensação do "se eu sabia..." não me parece que ajude muito sendo então melhor não sentir arrependimento. Já está, já está! Vamos ver no que isto vai dar.
Agora que acabei de escrever isto tenho mais algo para dizer:
Estou a ficar preocupado. Estou a ficar seriamente procupado. Começo a sentir-me arrependido. É verdade! Coisa que nunca tinha acontecido (pelo menos que me recorde) e que não está a facilitar muito, tenho andado um bocado para o irritado durante as semanas e isso não é muito bom... Já começo até a ficar mais desregulado das ideias.
No inicio até nem estava a correr mal mas muito honestamente digo agora: "Não sei no que é que isto vai dar!"
Já está, já está! Não me parece é que esteja muito bem. A ver vamos então com o tempo...

29 Setembro, 2009

Que aconteceu?

"Eu somos tristes. Não me engano, digo bem. Ou talvez: nós sou triste? Porque dentro de mim, não sou sozinho. Sou muitos. E esses todos disputam minha única vida. Vamos tendo nossas mortes. Mas parto foi só um. Aí, o problema."
Mia Couto

Nascemos sem pedir a ninguém, mas aqui estamos. Todos a querer um pouco mais desse todo que parece ter deixado de se dividir. Todos a procurar alguma coisa que, ridiculamente, ninguém perdeu porque nunca a ninguém pertenceu. Todos tentam, em vão, cerrar os dedos em volta dessa esmagadora bola de neve glacial que aumenta de tamanho todos os segundos que passam. A vida.
Eu sonho poder agarrar um pedaço de nuvem! Guardá-la num frasquinho de vidro para que não me possa fugir, para que se não misture com os ventos que teimam em agitar as folhas amarelecidas pela falta de luz. Não, essa nuvem não me tiram eles! Esse pedaço de nevoeiro a mim pertence, mesmo que seja apenas para ficar dentro do frasco no fundo do saco, misturado com as aparas de lápis e as tampas de canetas de cor roídas.
Não penso mais em agarrar a vida. se o fizer, ficarei sempre a vê-la fugir-me por entre os dedos. Já chega de unhas sujas! Se é para agarrar, vou passar a saltar bem alto.

Aquela nuvem será minha.

Que aconteceu?

25 Setembro, 2009

Sem nexo ou descrição II

"Que é que queres de mim, hoje sinto-me assim.
Ecos de risos, sinfonias de gritos.
Como sangue na barriga de mosquitos."
Linda Martini
Passos ecoam nos jardins desse palácio vazio.
"Mas afinal o que te deu para vaguear assim, sem pijama, sem nada? Que merda te passou pela cabeça para saltares da cama sem te preocupares em calçar uns chinelos? O chão está frio, não sentes? Não te percorre esse arrepio fino que hasteia todos os pelos do teu corpo? Não te treme o lábio roxo e contraído ao sufocares um grito no breu da noite?"
"Mas escuta-me! Não é frio que tenho. É o frio que me envolve e que não me pertence que me despregou da cama e me deixou em alerta. É o cheiro pútrido a esperança perdida que me faz estremecer a alma e me deixa da cor do vinho estes lábios por onde entra o sopro gelado. Não tenho mais forças e só me apetece gritar.
Espero por aquele dia com nuvens cinzentas em que me possa deitar na terra molhada a sentir a água a escorrer do céu para mim. Só para mim. Contar todas as gotas num murmúrio partilhado com o Olimpo, em que me possa desligar do que me rodeia. Ser apenas eu, a água e a terra molhada, em conjunto com aquilo que não é senão durante breves segundos.
Ver o ser de mim mesmo e regressar para me contar como foi e, inoportunamente, não lembrar de mais nada senão que a terra continua molhada e que a água cai cada vez com mais força. E esquecer de novo o eu que não sou, e que apenas me pertence quando a memória não passa de espaço vazio.
Aí, ao gritar, pode ser que a água que cai seja tanta que me afogue no próprio sonho."