Montes de pessoas disseram isto, e se calhar o Rui também… Seja como for, HÁ DIAS DE MERDA!
Pronto, já disse! Afinal não foi assim tão difícil… Há coisas que demoram bem mais tempo a sair, que custam muito, muito mais. E quando saem, depois de terem fugido como um perdigoto maroto, depois de contaminarem tudo e mais alguma coisa com aquela capacidade que nem o vírus da SIDA tem, acabam por voltar cá para dentro e queimam a garganta. É como se tivesses enfiado um garfo afiado pela goela abaixo e, não tendo a vacina do tétano em dia, bebes 2 shots de bagaço para desinfectar. Ainda assim, mesmo que queiras, já não podes voltar atrás. E isso é que dói mais…
(“Ui, mas que profundo! Quase que podias escrever um livro!”)
Sim, sim… Isto é tudo muito bonito. Mas com ou sem ferida, (e acredita(!), ninguém se importa se ainda está quente), acordo de manhã a desejar dormir mais uns minutinhos, sabendo que nem sequer aulas tenho antes do meio-dia, a ouvir passarinhos do outro lado da parede e penso “Puta que pariu! Não vir um dia de chuva para calar estes Perseguidos!”. E depois noto que sou um grande idiota: chuva não tem faltado e, para além disso, o meu egoísmo tem limites; afinal de contas os passarinhos têm todo o direito a vagabundear por aí, como todas as outras criaturas de Deus. “Ah, Filipe! És muito canalha! A culpar criaturas indefesas por causa do teu mau humor… Vai masé lavar os dentes!” E fui!
Pus um pé na soleira da porta e menti, “Está bem, eu vou estar atento!” Esbocei um sorriso e despedi-me com um “até logo” mais morto que o Aristóteles. Depois de chegar à estrada apeteceu-me pisar um caracol que estava na valeta. Mas fiquei-me só por isso. Apesar de adorar o delicioso “Crrrrrrr!” característico, vi o autocarro perto da paragem e comecei a correr. Perdi assim um daqueles que podia ter sido o ponto alto do dia.
Na escola chamei nomes feios a uma técnica operacional, mas baixinho para ela não ouvir… Também chamei nomes feios ao Rui, mas alto, para ele ouvir.
Na aula de Educação Física a minha barriga começou a fazer barulho e apeteceu-me comer qualquer coisa. Esqueci-me de comer no intervalo e depois tinha sono. Tratei mal a Ângela e ri-me dos serviços da Isabel e da Gabriela. Peço-lhes desculpa. Não é por mal, mas soube-me mesmo bem umas gargalhadas sinceras!
Ao almoço comi carne e quero pedir desculpas por isso. Lá se foi o meu respeito pelas criaturas do Senhor. Depois incumbiram-me de ser o Vasco naquela coisa de Psicologia. Nem eu sei ser eu quanto mais outros!
Quis conversar com alguém mas não consegui. Não por desencontros ou desentendimentos. As palavras não saíam. Sacanas… Para chamar pelo Ivo não me faltam elas! Fiquei triste e reconheceram isso quatro vezes. Já enjoava estar aqui dentro.
Agora à noite comi de boca fechada e não olhei para cima. Agora? Ai que sossego! Ligou há pouco um senhor idoso com voz de tísico a dizer que se tinha enganado no número. E foi a única pessoa com quem mantive uma conversa completa durante o dia: com saudação, introdução, desenvolvimento, conclusão e despedida. Ai, que felicidade!
E porque é que escrevi esta merda toda? Porque me apeteceu queixar e não tinha mais nada que fazer. E se a Clarisse ler isto e me quiser chamar nomes feios que o faça, desde que sejam mais de cinquenta.
E pronto…
Dizem por aí que tudo depende de nós. Da nossa força, da nossa esperança, da nossa luta, da nossa capacidade para acreditar…
Mas… dar crédito a quê? Lutar contra quem? Esperar…?
Acho que vou é desligar o PC, comer uma grande fatia de marmelada e esperar que me sarem as feridas da garganta. Se depois ainda estiveres aí diz-me um olá. Pode ser que te consiga responder mais alto.
Pronto, já disse! Afinal não foi assim tão difícil… Há coisas que demoram bem mais tempo a sair, que custam muito, muito mais. E quando saem, depois de terem fugido como um perdigoto maroto, depois de contaminarem tudo e mais alguma coisa com aquela capacidade que nem o vírus da SIDA tem, acabam por voltar cá para dentro e queimam a garganta. É como se tivesses enfiado um garfo afiado pela goela abaixo e, não tendo a vacina do tétano em dia, bebes 2 shots de bagaço para desinfectar. Ainda assim, mesmo que queiras, já não podes voltar atrás. E isso é que dói mais…
(“Ui, mas que profundo! Quase que podias escrever um livro!”)
Sim, sim… Isto é tudo muito bonito. Mas com ou sem ferida, (e acredita(!), ninguém se importa se ainda está quente), acordo de manhã a desejar dormir mais uns minutinhos, sabendo que nem sequer aulas tenho antes do meio-dia, a ouvir passarinhos do outro lado da parede e penso “Puta que pariu! Não vir um dia de chuva para calar estes Perseguidos!”. E depois noto que sou um grande idiota: chuva não tem faltado e, para além disso, o meu egoísmo tem limites; afinal de contas os passarinhos têm todo o direito a vagabundear por aí, como todas as outras criaturas de Deus. “Ah, Filipe! És muito canalha! A culpar criaturas indefesas por causa do teu mau humor… Vai masé lavar os dentes!” E fui!
Pus um pé na soleira da porta e menti, “Está bem, eu vou estar atento!” Esbocei um sorriso e despedi-me com um “até logo” mais morto que o Aristóteles. Depois de chegar à estrada apeteceu-me pisar um caracol que estava na valeta. Mas fiquei-me só por isso. Apesar de adorar o delicioso “Crrrrrrr!” característico, vi o autocarro perto da paragem e comecei a correr. Perdi assim um daqueles que podia ter sido o ponto alto do dia.
Na escola chamei nomes feios a uma técnica operacional, mas baixinho para ela não ouvir… Também chamei nomes feios ao Rui, mas alto, para ele ouvir.
Na aula de Educação Física a minha barriga começou a fazer barulho e apeteceu-me comer qualquer coisa. Esqueci-me de comer no intervalo e depois tinha sono. Tratei mal a Ângela e ri-me dos serviços da Isabel e da Gabriela. Peço-lhes desculpa. Não é por mal, mas soube-me mesmo bem umas gargalhadas sinceras!
Ao almoço comi carne e quero pedir desculpas por isso. Lá se foi o meu respeito pelas criaturas do Senhor. Depois incumbiram-me de ser o Vasco naquela coisa de Psicologia. Nem eu sei ser eu quanto mais outros!
Quis conversar com alguém mas não consegui. Não por desencontros ou desentendimentos. As palavras não saíam. Sacanas… Para chamar pelo Ivo não me faltam elas! Fiquei triste e reconheceram isso quatro vezes. Já enjoava estar aqui dentro.
Agora à noite comi de boca fechada e não olhei para cima. Agora? Ai que sossego! Ligou há pouco um senhor idoso com voz de tísico a dizer que se tinha enganado no número. E foi a única pessoa com quem mantive uma conversa completa durante o dia: com saudação, introdução, desenvolvimento, conclusão e despedida. Ai, que felicidade!
E porque é que escrevi esta merda toda? Porque me apeteceu queixar e não tinha mais nada que fazer. E se a Clarisse ler isto e me quiser chamar nomes feios que o faça, desde que sejam mais de cinquenta.
E pronto…
Dizem por aí que tudo depende de nós. Da nossa força, da nossa esperança, da nossa luta, da nossa capacidade para acreditar…
Mas… dar crédito a quê? Lutar contra quem? Esperar…?
Acho que vou é desligar o PC, comer uma grande fatia de marmelada e esperar que me sarem as feridas da garganta. Se depois ainda estiveres aí diz-me um olá. Pode ser que te consiga responder mais alto.
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